O Basquetebol em Cadeira de Rodas

O basquetebol em cadeira de rodas surgiu, como modalidade desportiva, no séc. XX, em meados dos anos 40, em Inglaterra. Desenvolveu-se rapidamente (sobretudo no meio hospitalar) e conheceu uma forte adesão por parte das pessoas que, feridas na II Guerra Mundial, adquiriram lesões permanentes que as impossibilitaram, de forma normal, de praticar desporto.

A primeira competição oficial de basquetebol em cadeira de rodas terá acontecido, ainda nos anos 40, já nos Estados Unidos, país onde a modalidade se tornou verdadeiramente popular com as sucessivas guerras em que participou e as pessoas com incapacidades que surgiam como consequência desses conflitos.

A modalidade segue, no essencial, as regras do basquetebol praticado em pé. Acresce, no entanto, maior agressividade, mais rapidez, algumas formas de contacto impossíveis no basquetebol praticado em pé e, acima de tudo, a garra que queremos e que, normalmente, cativa. A maior diferença está, efectivamente, na composição das equipas, que obedece a critérios de pontuação: um jogador é, consoante o grau de mobilidade, classificado com pontuação de 1 a 5. No total, conforme as regras internacionais, o total de pontuação dos jogadores presentes em campo não pode exceder os 14,5 pontos.

Um exemplo: 1.5 + 2.0 + 2.5 + 4.0 + 4.5 = 14.5. As possíveis combinações são, no entanto, muitas e variam, é claro, quanto maior for o número de atletas de uma equipa.
Era possível, mediante algumas condições (sobretudo, ao nível do tempo de jogo), jogarem praticantes sem deficiência (que teriam a classificação de 5 pontos). Infelizmente, tal medida foi interrompida em Portugal.

As cadeiras utilizadas nesta modalidade desportiva são, como se pode adivinhar, desportivas. Têm características que as tornam mais leves, mais manobráveis, mais rápidas e mais seguras no recinto de jogo. A maioria destas cadeiras possui já uma roda anterior, posicionada às costas do assento e rebaixada (de forma a aproximar-se do chão sem o tocar), como medida acrescida de segurança, evitando quedas para trás. Não possuem travões e a viragem das rodas a 360º pode ser feita apenas com uma mão.

Em Portugal, a modalidade surgiu verdadeiramente enquanto tal no final dos anos 70, igualmente no meio hospitalar, quando começaram a surgir as primeiras equipas e clubes interessados no desenvolvimento do basquetebol. Desenvolveu-se, de algum modo, a par do atletismo, modalidade praticada na altura por boa parte dos praticantes de basquetebol em cadeira de rodas.

O basquetebol em cadeira de rodas é já modalidade paralímpica e, em alguns países, é mesmo possível viver da práctica desta modalidade. Alguns dos atletas nacionais competem no campeonato espanhol, onde os pavilhões enchem e os jogos são, por vezes, amplamente divulgados e transmitidos pela televisão.

O basquetebol nacional em cadeira de rodas, sem conhecer ainda grande notoriedade a nível europeu ou mundial, está, apesar de tudo, em desenvolvimento.

Em Portugal, o GDR “A Joanita” é ainda hoje conhecido como o clube de eleição de formação de atletas. Envolvido na competição desde o final dos anos 70, apostou, desde sempre, na formação de jovens com deficiência, levando-os de casa para a rua, da rua para os pavilhões, dos pavilhões para a competição e para os campeonatos, e disto tudo para a vida.